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Mostra reúne curtas metragens contemporâneos

A Mostra Contemporânea reúne curtas que iluminam à sua maneira essas trevas para onde nos levaram o patriarcado, o machismo, o preconceito, a ganância, o autoritarismo.  Agrupamo-os  em quatro programas: Gênero – a pele que vestimosEspaços em DisputaO fim e o (re)começo do mundo e Bahia: ruínas em construção. Com os filmes seguimos para dentro e para fora do cinema, indo também às escolas e comunidades de Cachoeira e São Félix.

Em Gênero, a pele que vestimos, quatro obras destacam a luta das mulheres e trans, certamente uns dos movimentos mais aguerridos do Brasil contemporâneo, ao mesmo tempo que florido, poético e lindamente purpurinado. Pessoas que, diante da câmera, de um espelho, de um campo de futebol, em manifestações ou no simples cotidiano não hesitam em defender seus direitos e afirmar a autonomia sobre o seu próprio corpo. Os filmes são Reflexiva, IngridVirou o jogo: a história de Pintadas e Corpo Manifesto, e serão exibidos no Cine Theatro dia 6/9, às 9h30 e 14h, além do dia 11/9, às 10h.

Assim como os corpos, os espaços encontram-se também em disputa. Na cidade maravilha, na cidade monumento ou num paraíso ecológico, as populações enfrentam proibições e perigos para exercer os direitos mais básicos de qualquer cidadão como atravessar um beco ou parir. São como seres invisíveis aos olhos do poder que os enxergam apenas como entraves aos seus projetos e interesses políticos e econômicos. Não entendem que os lugares pertencem a quem os nutre de arte, histórias, sonhos e vidas. Nesta sessão, em parceria com o Cineclube Mário Gusmão, os filmes são Obra autorizadaPlano Aberto e Ninguém nasce no paraíso e serão exibidos na orla da Faceira no dia 7/9, às 20h.

Sinais dados pela natureza nos fazem acreditar que chegamos ao ponto máximo de devastação da Terra. Por onde andam as andorinhas, o lobo-guará, o mico-leão-dourado, as estrelas e ouriços do mar? E o pau-brasil, o jequitibá e a imbuia? E os índios Jumas ou Carijós? Extintos ou ameaçados pelo desmatamento, poluição ou avanço das fronteiras agrícolas.  Mas a ambição do homem tem um preço a se pagar, acreditam os Maxacalis e, quem sabe, após o grande dilúvio as esperanças se renovem? Entre O fim e o (re) começo do mundo, há quem resista às pressões sobre os modos de vida mais solidários e em respeito ao meio ambiente, como os pescadores e camponeses, que cultivam não apenas um ofício, mas um ritmo, uma cultura e um outro universo de valores. Nesta sessão, em parceria com o Cineclube Mário Gusmão, os filmes são Boi na linha, Olho de PeixeKonãgxeka: o Dilúvio MaxakaliPara onde foram as andorinhasSementes e serão exibidos na orla de São Félix no dia 8/9, às 20h.

Enquanto isso, na terra da felicidade prometida, os responsáveis pela administração e proteção das cidades carregam e apontam suas pistolas reais ou simbólicas contra a população e em defesa de interesses privados. Montados em retroescavadeiras, viaturas ou cavalos, avançam sobre os espaços da nossa história, dos afetos e da sobrevivência. Sob os escombros ou túmulos, encenam um teatro farsesco ambientado em Miami ou Dubai e nos levam cada vez mais para perto de Canudos ou Palestina. Sorria, você está na Bahia: ruínas em construção, com os filmes Ah! Dios! SalvadorMuros, Ótimo amareloO mundo do rio não é o mundo da ponteQuilombo Rio dos Macacos será no dia 10/9, às 10h30, no Cine Theatro. 

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